07 abril 2021

Estudos sobre - Sociologia da Infância

 


A sociologia se dedica em estudar as vertentes da sociedade, e os modos de socialização, como as crianças são consideradas adultos em formação, elas ainda não são seres plenos, completos, então não se dedica muito para compreender seus aspectos sociais, por isso as crianças são invisíveis.

Nesse caso, pode-se dizer que há uma comparação entre a criança e o trabalho doméstico da mulher em sua casa, não é considerada atividade econômica então fica invisível como trabalho, assim como a criança não exerce os deveres dos adultos ficam na margem, esquecidas.

É aqui que entra a Sociologia da Infância, que o objetivo é levantar reflexões contemporâneas sobre a realidade social estudando a infância, os efeitos, a totalidade e os aspectos que rodeiam as crianças e constroem suas realidades sociais.

Como a criança não é considerada um ser completo, a sociologia só se interessa por ela na condição de aluno, por isso Qvortup (1995) afirma que as crianças são mais que ignoradas, tem sido marginalizadas e “menorizadas” pelo discurso sociológico.

Infância como categoria social e crianças como atores sociais

A distinção entre “as crianças como atores sociais” e a “infância como categoria social do tipo geracional" é que: A crianças como atores sociais é o estudo que analisa o mundo da criança, as coisas e feitos das crianças. Já a infância como categoria social do tipo geracional analisa os efeitos da criança na sociedade, suas contribuições, as relações de poder entre adultos e crianças e outras socializações.

O poder de controle dos adultos sobre as crianças é legitimado e reconhecido, não sendo permitido o inverso, o que faz a criança estar numa posição subalterna da geração adulta, daí vem o sentimento de infância, que é o processo simbólico de constituição do sujeito moderno, ou seja, o sentimento de fragilidade, de ser indefeso, de ser diferente do adulto.

Existe duas correntes sociológicas propostas por Corsaro (1997) dentro da Sociologia da Infância, o modelo determinístico e modelo construtivistas.

No modelo determinístico a criança já é determinada a seguir hábitos, nesse modelo tanto a criança aprende com o adulto, quanto o adulto aprende com a criança, mas é um modelo de reprodução.

Já no modelo construtivista acredita-se na existência de etapas de desenvolvimento cognitivos e socio-moral e podem ser conduzidos por adultos, mas esse modelo é devedor no quesito à análise da criança como co-construtoras das realidades sociais.

Existem estudos que definem orientações metodológicas predominantes na análise da infância, são eles:

- Estudos estruturais: Essa corrente procura pôr em relevo as condições estruturais em que a infância se situa e em que ocorrem as suas possibilidades de ação. Dando ênfase na infância como categoria geracional e procuram, numa perspectiva predominantemente macroestrutural, compreender como é que a infância se relaciona, diacrônica e sincronicamente, com as outras categorias geracionais, considerando indicadores predominantemente demográficos, econômicos e sociais, e de que modo essas relações afetam as estruturas sociais, globalmente consideradas.

- Estudos interpretativos: Nessa corrente, as crianças fazem parte de uma categoria social, a infância, mas constroem processos de subjetivação no quadro da construção simbólica dos seus mundos de vida, estabelecendo com os adultos interações que as levam a reproduzir as culturas societárias e a recriá-las nas interações de pares.

- Estudos de intervenção: Nesta concepção a infância é uma construção histórica, um grupo social oprimido e uma condição social, vivem condições especiais de exclusão social. Do ponto de vista desta corrente, a Sociologia da Infância só poderá consumar as suas finalidades se contribuir para a emancipação social da infância.

Enfim, o trabalho teórico e analítico sobre a infância é uma forma de conhecer melhor a sociedade e de compreender a infância como categoria social, desenvolvendo assim melhorias para tal categoria.

Referências

SARMENTO, M. J. In: Estudos da Infância – educação e práticas sociais. Editora Vozes, Petrópolis –RJ, 2008.


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