Nesse
caso, pode-se dizer que há uma comparação entre a criança e o trabalho
doméstico da mulher em sua casa, não é considerada atividade econômica então
fica invisível como trabalho, assim como a criança não exerce os deveres dos
adultos ficam na margem, esquecidas.
É
aqui que entra a Sociologia da Infância, que o objetivo é levantar reflexões
contemporâneas sobre a realidade social estudando a infância, os efeitos, a
totalidade e os aspectos que rodeiam as crianças e constroem suas realidades
sociais.
Como
a criança não é considerada um ser completo, a sociologia só se interessa por
ela na condição de aluno, por isso Qvortup (1995) afirma que as crianças são
mais que ignoradas, tem sido marginalizadas e “menorizadas” pelo discurso
sociológico.
Infância como categoria
social e crianças como atores sociais
A
distinção entre “as crianças como atores sociais” e a “infância como categoria
social do tipo geracional" é que: A crianças como atores sociais é o
estudo que analisa o mundo da criança, as coisas e feitos das crianças. Já a
infância como categoria social do tipo geracional analisa os efeitos da criança
na sociedade, suas contribuições, as relações de poder entre adultos e crianças
e outras socializações.
O
poder de controle dos adultos sobre as crianças é legitimado e reconhecido, não
sendo permitido o inverso, o que faz a criança estar numa posição subalterna da
geração adulta, daí vem o sentimento de infância, que é o processo simbólico de
constituição do sujeito moderno, ou seja, o sentimento de fragilidade, de ser
indefeso, de ser diferente do adulto.
Existe
duas correntes sociológicas propostas por Corsaro (1997) dentro da
Sociologia da Infância, o modelo determinístico e modelo construtivistas.
No
modelo determinístico a criança já é determinada a seguir hábitos, nesse modelo
tanto a criança aprende com o adulto, quanto o adulto aprende com a criança,
mas é um modelo de reprodução.
Já
no modelo construtivista acredita-se na existência de etapas de desenvolvimento
cognitivos e socio-moral e podem ser conduzidos por adultos, mas esse modelo é
devedor no quesito à análise da criança como co-construtoras das realidades
sociais.
Existem
estudos que definem orientações metodológicas predominantes na análise da
infância, são eles:
-
Estudos estruturais: Essa corrente procura pôr em relevo as condições
estruturais em que a infância se situa e em que ocorrem as suas possibilidades
de ação. Dando ênfase na infância como categoria geracional e procuram, numa
perspectiva predominantemente macroestrutural, compreender como é que a
infância se relaciona, diacrônica e sincronicamente, com as outras categorias
geracionais, considerando indicadores predominantemente demográficos,
econômicos e sociais, e de que modo essas relações afetam as estruturas
sociais, globalmente consideradas.
-
Estudos interpretativos: Nessa corrente, as crianças fazem parte de uma
categoria social, a infância, mas constroem processos de subjetivação no quadro
da construção simbólica dos seus mundos de vida, estabelecendo com os adultos
interações que as levam a reproduzir as culturas societárias e a recriá-las nas
interações de pares.
-
Estudos de intervenção: Nesta concepção a infância é uma construção histórica,
um grupo social oprimido e uma condição social, vivem condições especiais de
exclusão social. Do ponto de vista desta corrente, a Sociologia da Infância só
poderá consumar as suas finalidades se contribuir para a emancipação social da
infância.
Enfim,
o trabalho teórico e analítico sobre a infância é uma forma de conhecer melhor
a sociedade e de compreender a infância como categoria social, desenvolvendo
assim melhorias para tal categoria.
Referências
SARMENTO, M. J. In: Estudos
da Infância – educação e práticas sociais. Editora Vozes, Petrópolis –RJ, 2008.

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